Patrões fogem da negociação mas são enquadrados pela Justiça

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Audiência dissídioHá meses os lojistas do Rio empurram com a barriga as negociações da Campanha Salarial dos trabalhadores do comércio. Olho-grande como sempre e pão-duro como nunca, o patrão queria evitar a assinatura de uma Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) favorável às trabalhadoras e trabalhadores. Só que a Justiça do Trabalho decidiu acabar com a enrolação. Em audiências de conciliação realizadas na última quarta-feira (3) na Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1ªR), a desembargadora Ana Maria Soares de Moraes estabeleceu prazos para que os patrões apresentem propostas capazes de superar o impasse.

O Sindilojas, que representa os donos das lojas de shoppings e de rua, terá que apresentar uma lista com os nomes de três empresas para a gestão do benefício social familiar. Seguro privado que garante aos trabalhadores e suas famílias indenizações em caso de morte, incapacitação para o trabalho ou nascimento de filhos. A escolha de qual empresa ficará encarregada pela gestão do benefício será feita pelo Sindicato dos Comerciários do Rio, que aceitou a proposta do Judiciário, desde que as empresas na lista sejam consagradas no mercado e que sejam mantidos os mesmos benefícios previstos atualmente. Devido ao período das Olimpíadas, que provocou suspensão de audiências no Tribunal, foi dado prazo de 45 dias para a apresentação da lista. Parece até que o patrão-ostentação fez de propósito…

No início de julho, após ter fechado acordo com o Sindicato dos Comerciários para assinar a CCT, o Sindilojas formalizou uma proposta com texto diferente, contendo várias pegadinhas, entre elas a questão do benefício social familiar. As conversas travaram nesse ponto. Mesmo após o Sindicato dos Comerciários ter aceitado flexibilizar sua posição, apenas para garantir que o aumento viesse mais cedo, o Sindilojas decidiu se retirar das negociações.

“Lamentamos que a ganância do patrão esteja atrasando esse reajuste. Felizmente, quando sair, o aumento será retroativo para todos os comerciários, com pagamento em cota única da diferença entre o novo e o velho salário a partir do mês de maio”, comenta o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio, Márcio Ayer.

Varejistas e atacadistas – No caso de outras empresas varejistas, como aquelas que são representadas pelo Sindicato do Comércio de Eletrodomésticos (Simerj), a desembargadora deu um prazo mais curto. A proposta de CCT deverá ser apresentada por escrito no dia 22/8 e discutida com o Sindicato dos Comerciários do Rio três dias depois, em 25/8, na sede da Fecomércio. O mesmo prazo vale para as empresas atacadistas, incluindo aquelas que são representadas pelo Sindicato do Comércio Atacadista de Medicamentos (Sindromed).

Até agora, o único segmento do comércio do Rio que já fechou a Convenção desse ano foi o dos supermercados e estabelecimentos similares, representados pelo Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sindigêneros). No caso desse segmento, o Sindicato dos Comerciários conseguiu aumento de 10% e outras garantias (leia mais).

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