O órgão de representação oficial dos comerciários do Rio de Janeiro nasceu com o nome de União dos Empregados do Comércio (UEC), em 29 de julho de 1908. Foi fundada por 40 trabalhadores do comércio, dentre balconistas, viajantes, guarda-livros e faxineiros que buscavam organizar as estratégias da categoria para a luta por direitos. As reuniões eram secretas, para evitar represálias dos patrões.

A redução da jornada de trabalho foi uma das primeiras e mais importantes causas abraçadas pelo Sindicato, junto com outras categorias como as dos gráficos, ferroviários e tecelões. O movimento foi vitorioso com a redução da carga horária diária de 16 para 12 horas, em 1922. Naquele mesmo ano, outra conquista foi a criação do Dia do Comerciário, que passou a ser comemorado no dia 30 de outubro.

Nas décadas seguintes de 1920 e 1940, apesar do ambiente político turbulento, a entidade cresceu em importância e veio a se tornar um dos maiores organismos sindicais da América Latina. Protagonizou muitas lutas históricas dos trabalhadores brasileiros, como a Lei de Férias, a Lei dos Dois Terços, a criação do Instituto de Aposentadoria e Pensões do Comércio (IAPC) e a “Semana Inglesa”.

Em 1966, a Ditadura Militar destituiu o presidente legitimamente eleito pelos comerciários e nomeou o interventor Luizant Mata Roma, que viria a ocupar o cargo durante 40 anos, até sua morte em 2006. Foi “sucedido” por seu filho, Otton Mata Roma. Nos anos seguintes, grande parte do patrimônio da entidade foi sucateada. O Sindicato deixou de manter, por exemplo, as delegacias sindicais da Tijuca, Méier, Madureira e Largo de São Francisco, além dos restaurantes destas duas últimas. Os serviços foram reduzidos ao mínimo e o Departamento Jurídico deixou de elaborar ações coletivas e outras representações legais, acovardado frente aos interesses das empresas.

Acionado por denúncias, o Ministério Público do Trabalho começou a investigar em 2006 a diretoria presidida pelos Mata Roma. Com o respaldo destas investigações, a Justiça do Trabalho determinou uma intervenção em 15 de outubro de 2014. A antiga diretoria foi destituída por suspeitas de corrupção e falta de legitimidade – nenhum dos membros era de fato comerciário. Durante a intervenção, as contas das administrações da Era Mata Roma passaram por uma devassa. Entre indícios de desvios, falhas de gestão e impostos não pagos, estima-se um rombo de R$ 99 milhões nas contas do Sindicato apenas nos cinco anos anteriores.

Para devolver o Sindicato à categoria, a Justiça do Trabalho organizou a primeira eleição democrática em quase 50 anos de história da entidade. Em 17 de junho de 2015, com 82,4% dos votos dos comerciários sindicalizados, foi eleita a Chapa “A hora da mudança”. O Sindicato voltou a contar com uma diretoria toda formada por comerciários de verdade, que conhecem o duro dia a dia do comércio e não se dobram à pressão patronal. À frente dela está o presidente Márcio Ayer, comerciário de 30 anos, funcionário de uma loja de material de construção no Rio Comprido.

Desde então, o Sindicato dos Comerciários do Rio reabriu as portas para os trabalhadores, está recuperando seu patrimônio e seus serviços, e passou a fazer a defesa dos direitos e interesses dos comerciários em diversas frentes. A entidade comemora seus 110 anos orgulhosa por: ter aumentado a apuração de denúncias dos trabalhadores em mais de 300%; ter estabelecido canais de diálogo transparentes com a categoria; ter de volta um Jurídico atuante, que não mais se acovarda frente aos patrões; já ter alcançado vitórias significativas para os comerciários nos últimos três anos; e ter passado a tratar de igual para igual com os empregadores nas mesas de negociação.

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