Americanas: quase R$ 300 milhões em dívida na Justiça do Trabalho; mas bancos querem receber primeiro

O Grupo Americanas tem hoje 2.331 processos na Justiça do Trabalho, o que daria R$ 284,3 milhões em dívidas. A conta foi feita pela Data Lawyer, a pedido do jornal Folha de São Paulo. Esse valor ultrapassa em 138% o que foi reservado pela empresa para pagar as dívidas trabalhistas relacionadas à recuperação judicial. 

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Em meados de fevereiro, o Grupo Americanas divulgou que está disposta a pagar os débitos trabalhistas e com micro e pequenos fornecedores. Porém, o banco Safra ingressou com ação questionando a proposta de pagar de forma antecipada os credores trabalhistas e as pequenas e médias empresas.

O banco Safra é uma das credoras das Americanas e quer o seu pagamento antecipado. O Bradesco também fez o mesmo pedido. Segundo o jornal O Globo, o Safra diz que o pedido da Americanas tem como pretexto apenas “promover justiça jurídico-social”. 

“Os bancos, como sempre, querem colocar seus interesses acima dos direitos dos trabalhadores e não estão nem aí para os funcionários e pequenos credores. A luta que vamos ter que enfrentar é para que o grupo pague primeiro todos os trabalhadores e para que os direitos sejam respeitados integralmente”, critica Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários. 

“Em meio ao rombo de uma empresa gigantesca, com milhares de brasileiros empregados por ela, não há espaço para oportunismo de banqueiro que só quer enriquecer mais e mais! Estamos atentos e lutando para que a corda não arrebente pro lado de quem mais precisa”, conclui Ayer.

Ação das entidades sindicais

Ainda em janeiro, as entidades sindicais entraram com ação no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, solicitando o bloqueio de R$ 1,53 bilhão do patrimônio dos principais acionistas do Grupo Americanas: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. A ideia é garantir o pagamento das ações trabalhistas que já estão na Justiça do Trabalho. A liminar foi negada, mas as centrais sindicais estão recorrendo.

Jurídico do Sindicato

O Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro continua acompanhando de perto o caso e oferecendo todo suporte jurídico aos funcionários da empresa. 

Recentemente, ficou acordado que, em caso de demissão, os trabalhadores vão poder fazer o cálculo da rescisão nos sindicatos, se assim desejarem. Desta forma, será possível avaliar o valor integral que cada funcionário terá a receber caso deixe a empresa.

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