Comerciários na linha de frente contra o racismo

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Mais de mil cidades brasileiras já comemoram com feriado o Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, data que marca a contribuição das negras e negros para a construção de nossa nacionalidade. Apesar disso, a herança do nosso passado escravista ainda hoje se manifesta de múltiplas formas. Seja na insuficiente garantia de direitos à população negra, seja nos elevados índices de homicídios entre jovens negros, sobretudo nas favelas e periferias das nossas grandes cidades. Provas de que ainda temos um longo caminho pela frente até que o país seja capaz de superar a cruel realidade do racismo.

Os avanços conquistados pelos movimentos negros e de luta contra o racismo nas últimas duas décadas estão hoje ameaçados por um governo ilegítimo, que só faz tirar direitos da classe trabalhadora e das pessoas marginalizadas, negras em sua maioria.

“A necessidade de superar o racismo se torna um convite à luta. Os negros sempre tiveram que adotar medidas corajosas e por vezes arriscadas para modificar a dura realidade das relações trabalho. Hoje em dia não é diferente. Negras e negros estão sempre à frente das ações que têm por objetivo combater as desigualdades, as discriminações e todas as formas de intolerância. Afinal, são eles que compõem a imensa maioria dos sem-privilégio no Brasil. Aqui no Sindicato a gente vê essa realidade bem de perto. É mais do que nossa obrigação estar na linha de frente”, garante o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio, Márcio Ayer.

” Um exemplo da força do nosso povo é o caso das manifestações recentes no Supermercado Mundial, lideradas principalmente por mulheres e homens negros. Foi ali, no chão de loja, que a gente percebeu o quanto essa união tem força e o quanto nós, negros, apesar de todas as dificuldades, sabemos exatamente quando a mudança acontece”, conta Jorge de Paula, diretor do Sindicato e funcionário do Mundial. 

O racismo abala a autoestima, reduz as possibilidades de crescimento profissional e provoca o empobrecimento dessas pessoas, colocando-as cada vez mais à margem da sociedade. Não se engane, o racismo é uma das formas de exploração mais cruéis e mais naturalizadas contra os trabalhadores. Segundo dados do IBGE, o salário de um homem branco, quando comparado ao de uma mulher negra, chega a ser 129% maior em média. O homem negro também fica muito atrás. Seu salário em média equivale a 57% de um salário médio de homem branco.

“Algumas pessoas não enxergam que o racismo é uma questão estrutural no Brasil. Sempre proponho as seguintes reflexões: Quantas pessoas no seu ambiente de trabalho são negras? Quantas dessas pessoas negras ocupam espaços de poder e de decisão? Quantas dessas pessoas são bem remuneradas e reconhecidas por sua cultura e inteligência? Quantas dessas pessoas são mulheres negras?”, questiona a diretora Fabiana Souza, que compõe o Coletivo de Igualdade Racial do Sindicato.

“Antes de abrir qualquer discussão sobre o tema é preciso observar como nós negros estamos inseridos na sociedade. Essa realidade, que não é nada boa, só vai mudar com muita luta e resistência, como sempre fomos obrigados a fazer”, complementa o secretário-geral do Sindicato, Marcelo Black, que também integra o Coletivo de Igualdade Racial.

O Sindicato dos Comerciários do Rio, por meio desse Coletivo, defende o direito à participação social, econômica, cultural, esportiva e educacional para todos e todas, independente de cor, raça ou etnia, conforme prevê o Estatuto da Igualdade. Se você é comerciário do Rio de Janeiro, Miguel Pereira ou Paty do Alferes e sofre racismo no seu ambiente de trabalho, procure nosso Departamento Jurídico. Aqui você vai receber ajuda e informações sobre como lutar contra esse crime. O atendimento é presencial e gratuito. Saiba mais pelos telefones (21) 3266-4168 ou 3266-4155.

Disque 100 (ligação gratuita e 24h) – Você também pode denunciar ao Ministério dos Direitos Humanos, pelo Disque 100, as violações de direitos contra a juventude negra, a mulher, a população negra em geral e as comunidades tradicionais, como as comunidades quilombolas, de terreiros, ciganas e de religiões de matriz africana.

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