Casa Cruz complica homologação de 250 demitidos

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Ex-funcionários em conversa no Departamento Jurídico do Sindicato. Foto: Dara Bandeira/ Comerciários

Uma das mais tradicionais lojas do Rio, a papelaria Casa Cruz fechou todas as suas unidades este mês. Deixa extensa lista de dívidas trabalhistas com seus 250 ex-funcionários: salários de julho e agosto não pagos, rescisão de contrato pendente, vários depósitos em aberto no FGTS e descontos de INSS que, embora tenham saído do bolso do trabalhador não foram parar nos cofres da Previdência. Na semana passada, logo após o anúncio das demissões, a Casa Cruz foi chamada para um papo reto no Sindicato. Prometeram homologar as rescisões para que os funcionários, ao menos, possam sacar o FGTS e dar entrada no Seguro Desemprego. A homologação feita com ressalvas permitiria que os comerciários possam, com apoio do Sindicato, cobrar na Justiça o pagamento das verbas rescisórias. Só que até agora a empresa não fez a sua parte.

“Os trabalhadores não conseguem receber e o momento é de grande dificuldade para se recolocar no mercado. A situação ameaça até a segurança alimentar dessas 250 famílias. Não dá para esperar. As homologações precisam sair logo para que o pessoal possa aliviar a situação com o Seguro e o Fundo de Garantia. Vamos jogar duro com a Casa Cruz na Justiça. Se a empresa não tiver dinheiro, vamos cobrar que os sócios respondam com seu patrimônio”, diz o presidente do Sindicato, Márcio Ayer.

Na última quinta-feira (21/9), o Departamento Jurídico se reuniu com mais de 150 funcionários que vieram à sede do Sindicato agendar o atendimento para dar entrada na ação trabalhista. Os funcionários poderão também, individualmente, cobrar outras questões trabalhistas da empresa, como pagamento de férias e horas-extras em atraso e indenizações pelo trabalho em desvio de função. “Esperamos liberar nos próximos dias, em parceria com o Ministério do Trabalho, uma declaração que garante que os funcionários podem ser contratados por outras empresas, mesmo sem a baixa na carteira. Além disso, fomos alertados que havia outras irregularidades na papelaria. Por isso a necessidade de tratar das particularidades de cada comerciário. Esses atendimentos já foram agendados para agilizar. Nosso intuito é amenizar ao máximo o rombo que a Casa Cruz deixou”, conta o diretor jurídico do Sindicato, Edson Machado.

“A gente precisa achar uma forma de começar de novo. É uma situação triste e só não é tão desesperadora porque fomos amparados pelo Sindicato. O desejo que fica agora é de conseguir logo uma vaga, me recolocar no mercado e acompanhar as melhorias que eu quero muito acreditar que vão vir para quem trabalha no comércio. Isso tudo enquanto a gente espera a justiça ser feita”, conta A.F.D, ex-funcionária da Casa Cruz.

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