Comerciários do Rio em estado de greve

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Foto: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Reunidos em Assembleia na noite desta quinta-feira (22/6), os trabalhadores no comércio do Rio consideraram frustradas as negociações com os sindicatos patronais, rejeitando a proposta de reajuste de apenas 4%, e declararam estado de greve. Com apoio do Sindicato, ameaçam desencadear uma onda de paralisações das lojas da cidade casos os patrões não aceitem as reivindicações mínimas da categoria: reajuste acima da inflação, equiparação do piso ao mínimo regional e avanços nas cláusulas sociais das convenções coletivas.

“Os sindicatos patronais apresentaram propostas de reajuste de no máximo 4%, tanto do piso quanto do salário. Cobre a inflação nos últimos 12 meses (3,99%, pelo INPC/IBGE), mas não é uma proposta digna. Com apenas 4%, ficaríamos muito distantes do piso regional aprovado pela ALERJ, de R$ 1.178. Não aceitaram discutir também nenhuma outra reivindicação, mesmo aquelas que não geram custos como, por exemplo, a obrigatoriedade de oferecer água potável nos locais de trabalho. Negam até água! Apresentamos também cláusulas para proteger os vendedores comissionistas, como o extrato mensal de vendas e o fim do desconto na comissão por devolução de mercadorias. Negaram tudo. Eles têm uma expectativa muito grande de que vai passar a reforma trabalhista, e que com isso nós vamos perder direitos e eles vão se beneficiar. Por isso não querem atender nada do que a gente pede”, explicou na abertura o presidente do Sindicato, Márcio Ayer.

Ele explicou ainda que, em tentativa de mediação realizada no Ministério do Trabalho naquele mesmo dia (22), o sindicato patronal dos lojistas de shopppings e comércio de rua,  Sindlojas, disse não ter condições de propor nada acima dos 4%. “A gente sabe que é um completo absurdo, porque várias empresas, de diferentes segmentos, já se adiantaram à assinatura das convenções com antecipações de 6% ou até mais. Apesar do cenário de crise é sim possível melhorar”, reclamou o presidente.

Lutar pelo que é nosso “Comecei no comércio com 17 anos e hoje tenho 49. Nunca imaginei que um dia me sentiria representado pelo Sindicato. É uma emoção até difícil de descrever. (…) Temos diante de nós um panorama muito complexo e difícil, por vários motivos, mas quero ressaltar um. Existe uma cultura enraizada nos patrões de que o Sindicatos não vai lutar mais, porque nunca lutou. Acham que a gente vai se submeter, como sempre, a tudo que eles quiserem. Só que não, esse tempo acabou! Agora temos a oportunidade de fazer história. (…) A gente vai pra rua lutar, por meio porcento que seja, porque é nosso!”, detonou um dos comerciários presentes, dando mostrar do espírito de luta da categoria.

Após um sequência de falas indignadas de trabalhadores e diretores do Sindicato contra a intransigência dos patrões, o estado de greve foi aprovado por ampla maioria. Aos gritos de “Fora Temer!” e “Diretas Já!”, a  Assembleia também aprovou a participação da categoria na Greve Geral do dia 30/6, contra as reformas trabalhista e previdenciária.

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