Fogo revela descaso com funcionários do Shopping da Gávea

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Reprodução da internet

“Trabalho numa loja no 3º piso, o mesmo do Teatro Clara Nunes, onde começou o fogo. O  alarme não tocou nem fomos avisados do que estava acontecendo pelos seguranças. Primeiro ouvimos uma gritaria e aí pensamos que fosse assalto. Só quando uma fumaça escura encheu a loja e os corredores percebemos que era incêndio. Descemos a escada correndo. Nos pisos de baixo, o pessoal ainda não sabia de nada. Na televisão disseram que todo mundo saiu tranquilo, mas é mentira, foi uma tremenda confusão”.

O relato é da comerciária A.S., que há 18 anos trabalha no Shopping da Gávea e presenciou o incêndio que atingiu o estabelecimento por volta das 14h desta terça-feira (6/7). Ela disse que os bombeiros chegaram rápido, atenderam as muitas pessoas que estavam passando mal e foram eficientes no combate ao fogo, mas teceu duras críticas à administração do shopping. “Ontem a brigada de incêndio não funcionou. Sem saber o que estava acontecendo, as pessoas permaneceram nas lojas. Poderia ter virado uma tragédia se o fogo tivesse se alastrado. E hoje, por puro olho grande, eles determinaram a abertura das lojas mesmo com o forte cheiro de fumaça e sabendo que o ambiente é fechado, sem ventilação”, criticou a trabalhadora.

Desde a reabertura do shopping na manhã desta quarta-feira (7/6), diretores do Sindicato dos Comerciários estiveram presentes para verificar a situação dos trabalhadores. Receberam várias denúncias. Muitos funcionários das lojas compraram máscaras para reduzir o incômodo com o sufocante cheiro de queimado. Logo após a reabertura, por volta das 10h30, uma funcionária da limpeza foi atingida pela queda de parte do teto do 2º piso. Ela foi levada para o Hospital Municipal Miguel Couto em ambulância do Corpo de Bombeiros. Outros funcionários sentiram falta de ar e foram encaminhados à mesma unidade de Saúde.

Ganância O Shopping da Gávea afirmou em nota que recebeu autorização da Defesa Civil para a reabertura, mas o Sindicato acionou a Vigilância Municipal para verificar o grau de risco à saúde dos trabalhadores, que teriam que permanecer por várias horas no local. O Sindicato também solicitou uma fiscalização da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho. No início da tarde, por conta dos novos incidentes e da pressão feita pelo Sindicato, as 250 lojas foram fechadas e os trabalhadores liberados.

“Como pode o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil liberarem o funcionamento do shopping, mesmo antes do fim da perícia que vai determinar as causas do incêndio, colocando em risco tanta gente!? Será que a administração do shopping fez pressão sobre esses órgãos? Vão ter que se explicar! Pra eles, o lucro é mais importante que a nossa saúde. Por ganância, em nome do dinheiro, feriram uma trabalhadora e prejudicaram, de forma ainda imprevisível, a saúde de centenas de trabalhadores e clientes. Isso não vai ficar assim barato! Queremos uma apuração rigorosa das responsabilidades. A vida e a saúde dos trabalhadores não estão em liquidação”, disparou o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio, Márcio Ayer.  

CAT Segundo o presidente, o Sindicato oficiou as lojas e a administração do shopping quanto a obrigatoriedade da emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) que estavam no local no momento do incêndio. O documento é indispensável para o trabalhador que precise dar entrada em benefícios como auxílio-doença e auxílio-acidente. “É pra isso que serve o Sindicato, para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados”, acrescentou o dirigente.

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