Sindicato flagra salários atrasados e irregularidades na Toulon

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Toulon vai mal das pernas e já fechou várias lojas, colocando sob ameaça os direitos dos seus funcionários. Na imagem a primeira loja da rede, em Copacabana, aberta na década de 1970. Imagem: reprodução da internet.

Acionada por denúncias, a equipe de fiscalização do Sindicato dos Comerciários foi a várias lojas da grife de moda masculina Toulon na última semana. Em todas elas, encontraram comerciários indignados e uma série de irregularidades, dentre as quais salários com atraso de até três meses e quase um ano sem depósitos regulares no FGTS.

Ouvidos pelo Sindicato, os funcionários dizem que a empresa está em crise. Relatam que a falta de pagamento afeta toda a rede, que atualmente conta com apenas sete filiais e 59 funcionários na cidade. Muitos deles estão em aviso prévio. Segundo site da própria marca, atualmente a grife conta, ao todo, com 18 lojas nos estados do Rio, Minas Gerais e Espírito Santo. Há quatro anos, segundo entrevista de um dos proprietários ao site Ego, a Toulon possuía “38 lojas próprias e 13 franquias em todo o país”. Em 2015, a grife fechou sua “loja-conceito” no Leblon, na Zona Sul carioca, que ficou nacionalmente conhecida quando foi saqueada durante as manifestações de 2013. Na época, a Toulon não perdeu a pose e justificou o fechamento como “estratégia de marketing e reposicionamento de mercado” Agora, percebe-se que as coisas já iam mal.

“Entrei em 2015. A gente sabia que a empresa estava em dificuldades, mas os problemas só começaram em outubro do ano passado, quando passou a faltar mercadoria. Daí pra frente, várias filiais fecharam e os salários passaram a atrasar todo mês. Eles colocaram metas surreais e as equipes ficaram maiores com o remanejamento dos vendedores das lojas que fecharam. Com isso, ninguém mais consegue receber acima do piso. Também cortaram sem aviso o vale refeição dos office-boys e das operadoras de caixa. Pra piorar, aumentaram nossa carga em duas horas a mais por dia, sem pagar hora extra. Hoje, estou sem receber desde o mês passado”, conta o vendedor N.L., da loja do Recreio dos Bandeirantes.  

Pé queimado – De acordo com os trabalhadores, começou em abril uma onda de demissões. “Eu e outros três em minha loja estamos de aviso prévio, num total de sete vendedores. Estamos assustados, porque já sabemos que não vamos receber. Dizem que o dono vai tirar do bolso pra pagar, mas se é assim, porque não paga logo agora os salários e evita que o problema se acumule!?”, questiona a vendedora V.V., da filial de Ipanema. Outra injustiça apontada pelos funcionários foi descontos nos salários, após o balanço anual, por mercadorias perdidas ou avariadas no estoque. Popularmente conhecido entre os comerciários, principalmente pelos que vendem sapatos, como “pé queimado”, a cobrança é irregular, pois viola as regras das convenções coletivas de trabalho do comércio.

“Nas vacas gordas os patrões querem o lucro só para si, mas nas vacas magras tentam empurrar os prejuízos com os trabalhadores. Aí não dá! Chamamos a empresa para se explicar e, se for preciso, vamos tomar medidas duras. Por meio da ação sindical e também do nosso Departamento Jurídico, vamos trabalhar para que o pessoal da Toulon receba tudo o que tem direito”, assegura o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio, Márcio Ayer. Representantes da grife são aguardados para reunião no Sindicato em 9/6. No dia 12, o Sindicato se reunirá com funcionários e ex-funcionários da empresa para dar orientações e esclarecimentos.

Tá passando perrengue na Toulon? Denuncie pelo www.comerciariodenuncia.org.br

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