Campeão: ou retoma horas extras ou indeniza funcionários

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Durante a reunião com representantes do Campeão (de costas), da esquerda para a direita o diretor José Cláudio de Oliveira, o presidente Márcio Ayer, o coordenador jurídico Carlos Henrique de Carvalho, o delegado sindical Marcelo Bizerra, o advogado do setor de Fiscalização Leandro Abud e a diretora Rosângela Rocha. Imagem: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Em reunião realizada na última quinta-feira (13/4) com representantes da Germans Distribuidora de Comestíveis, dona da rede de supermercados Campeão, a diretoria do Sindicato deu um ultimato. Ou a empresa retoma as horas extras suprimidas ou terá que indenizar seus funcionários. A resposta será dada no dia 26/4. Caso não seja satisfatória, o Sindicato vai acionar a Justiça do Trabalho.

“O Campeão diz que tirou as horas extras em função da queda do faturamento. Não é uma justificativa legítima, porque o trabalhador não pode arcar com os riscos do negócio. Os funcionários do Campeão têm suas vidas e finanças organizadas contando com o pagamento dessas horas extras. O supermercado não pode mudar a regra assim, de forma abrupta. A CLT diz, inclusive, que em situações como essa, em que as horas extras já foram incorporadas aos salários, a empresa só poderá suprimi-las caso as substitua por outro benefício ou indenize os funcionários. Qual será a escolha do Campeão? Precisamos de uma resposta urgente”, cobrou o presidente do Sindicato, Márcio Ayer.

Plenárias – As representantes dos departamentos jurídico e de RH da empresa, que possui 21 lojas e emprega mais de 2 mil trabalhadores, responderam que não têm “a menor intenção de acabar com as horas extras”. Para elas, a medida foi tomada para evitar demissões ou atrasos de salários, uma solução  pontual, que poderá ser revertida com a retomada das vendas. Diante da negativa do Sindicato frente a esta “solução”, as representantes se comprometeram a levar o caso à diretoria da empresa e trazer uma resposta até o próximo dia 26/4.

“Os funcionários faziam essas horas extras todos os dias, desde o primeiro dia de contrato, muitas vezes durante anos. Para eles não é uma questão pontual. É redução de salários mesmo! Imagine o que significa receber R$ 100 a menos para quem tem salário de R$ 1 mil?”, questionou o diretor sindical José Cláudio de Oliveira. Para esclarecer os trabalhadores do Campeão sobre essa e outras questões, o Sindicato convocou plenárias para a próxima terça-feira (18/4), na sede (R. André Cavalcanti, 33 – Lapa), em dois horários: às 10h e às 16h.

Assédio moral – Cobrado pelo Sindicato, que recebeu inúmeras denúncias de funcionários sobre assédio moral, o Campeão diz ter iniciado um grande treinamento interno para acabar com o problema. Segundo a empresa, os encarregados de lojas estariam passando por um curso, cujo objetivo é acabar com a cultura do assédio. Nas visitas que o Sindicato faz às lojas, no entanto, a história contada pelos funcionários é outra. “As reclamações continuam. Os gerentes que foram transferidos por conta das denúncias, continuam com as mesmas práticas nas lojas onde foram realocados. Só mudou o endereço do assédio!”, reclamou o delegado sindical Marcelo Bizerra.

O Sindicato tem visitado com frequência as lojas da rede Campeão, tanto para fiscalizar as condições de trabalho quanto para manter contato direto com os trabalhadores. Não é à toa que mais de 20 funcionários do supermercado participaram da última Assembleia da Campanha Salarial e dezenas se associaram ao Sindicato nas últimas semanas. Eles já perceberam que a única forma do trabalhador se defender de abusos, fazer valer seus direitos e ampliar conquistas é fortalecendo o seu Sindicato. Quanto mais sócios e mais participação, mais conquistas e mais respeito virão. Chega junto você também. Sem participação, não tem conquista!

Comerciários em 1ª pessoa – “Para ajudar a diminuir as despesas do patrão, vão tirar nossas horas extras, o que vai diminuir nossa renda e nos encher de dívidas. Nós já convivemos com essas duas horas no salário há mais de dez anos. No meu caso, vou perder cerca de R$ 400 por mês. Imagine! Isso pode?”, questionou por email enviado ao Sindicato o comerciário J.C., que é subgerente de uma das lojas do Campeão. Não pode, J.C., por isso vamos entrar nessa briga por você!  

Plenárias dos trabalhadores dos supermercados Campeão

Dia 18/4 (terça-feira), às 10h e às 16h

Na sede do Sindicato

(R. André Cavalcanti, 33 – Lapa)

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