Valeu a pressão: Patrão de supermercado cedeu

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Votacao_Assembleia_13jul2016

Assembleia dos comerciários aprovou por unanimidade, nessa quarta-feira (13), a proposta de convenção coletiva com reajuste de 10% que vai beneficiar mais de 60 mil trabalhadores de supermercados e estabelecimentos similares. Após quase três meses de muita negociação, os patrões desse segmento – representados pelo SindiGêneros – finalmente abriram a mão. A convenção deve ser assinada nos próximos dias.

O aumento deve vir já no salário do mês que vem, incluindo o retroativo desde maio. Empresas que já deram algum reajuste também deverão pagar retroativamente a diferença. Outros benefícios conquistados, como a estabilidade de 18 meses antes da aposentadoria e o reajuste dos pisos, só valerão após a assinatura da convenção coletiva pelo Ministério do Trabalho, o que deve acontecer nas próximas semanas.

“Foi a participação das comerciárias e comerciários nas paralisações, assembleias e redes sociais que venceu o impasse. Mas o Sindicato não vai parar! As fiscalizações e lutas vão continuar, porque ainda há muita exploração nos supermercados”, disse o presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio, Márcio Ayer. “Agora faltam as lojas”, acrescentou o dirigente ao final da Assembleia, da qual participaram trabalhadores de vários segmentos e diferentes lojas do comércio.

A raposa e o galinheiro – Além disso, a Assembleia rejeitou a proposta do SindiLojas. Isso porque, na última hora, eles propuseram retirar dos comerciários, em favor dos patrões, o direito de gerir o benefício social familiar (auxílios funeral, invalidez, natalidade, etc). “Essa proposta coloca a raposa para tomar conta do galinheiro. Para eles, o bom funcionamento do benefício não tem importância alguma. Nós, ao contrário, sabemos o quanto esse direito é importante e não abriremos mão de fazê-lo funcionar de verdade”, avaliou o presidente Márcio Ayer.  

Apesar da rejeição da proposta, a Assembleia autorizou a diretoria do Sindicato a assinar a convenção caso o SindiLojas volte atrás na cláusula do benefício social familiar. O presidente lembrou que enquanto o SindiLojas não assinar a convenção principal, os lojistas estão proibidos de praticar banco de horas.

A pressão vai continuar sobre a Fecomércio e Simerj, que representam os demais segmentos de comerciantes, pois a mesma ainda não formalizou propostas.

Justiça do nosso lado – O estado de greve foi mantido, assim como a paralisação de lojas e outras mobilizações, até que as exigências sejam atendidas por Sindilojas e Fecomércio. Uma das entidades representada pela Fecomércio, o sindicato do varejo de material elétrico, eletrônico e de eletrodomésticos (Simerj), conseguiu na última semana uma liminar na Justiça do Trabalho para impedir manifestações dos comerciários na porta de suas lojas. Na tarde dessa quarta-feira (13), no entanto, a juíza titular da 67ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, Gabriela Canellas Cavalcanti, aceitou o pedido de reconsideração feito pelo Sindicato dos Comerciários e indeferiu a liminar por entender que “não há provas de que houve abuso ou violência” por parte dos comerciários.

“Hoje entrei numa loja das Casas Bahia e encontrei um gerente, em forma de patrão, que rindo me disse o seguinte: ‘agora vocês não podem mais paralisar’. Quem ri por último ri melhor. Amanhã, vamos para cima deles com força redobrada”, comentou o diretor do Sindicato Douglas de Freitas, que também é vendedor do Ponto Frio. O presidente Márcio Ayer completou: “Felizmente, conseguimos garantir na Justiça o direito de se manifestar e fortalecer esse movimento bonito que estamos construindo com os comerciários”.

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