Fim da escala 6×1 vai quebrar a economia?

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Nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prova que o impacto é inferior a 1% do custo operacional. Essa é a conclusão da análise dos dados da RAIS de 2023, que reúne informações oficiais sobre milhões de vínculos formais no país, sobre o que acontece se a jornada de 44 horas semanais, sem redução salarial, cair para 40 horas.

ipea

No entanto, empresários espalham informações baseadas unicamente em terrorismo, como é o caso do dono da Havan e da Fecomércio SP, que publicou uma matéria apontando “Dez impactos negativos do fim da escala 6×1”.

“O que está em discussão não é um privilégio, é saúde, dignidade e geração de empregos. Valorizar quem produz riqueza é o caminho para um país mais equilibrado e desenvolvido”, afirma Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários. 

Patrões lançam “fake news”

Em um dos tópicos, a Federação de SP afirma que ‘o fim abrupto da escala 6×1 não assegura melhoria nas condições de vida do trabalhador’. Também diz que a proposta representa um aumento de 22% no custo do trabalho, mas a verdade é que aqui no Brasil, 72% das empresas que já reduziram a jornada por contra própria viram a receita aumentar. Todos os países que adotaram o fim desta escala, não viram prejuízos, viram aumento de produtividade e qualidade de vida.

Estudos sérios, como o realizado recentemente pela Unicamp, demonstram que o fim da escala 6×1 pode gerar até 4 milhões e meio de novos empregos. 

Hoje, 74% dos trabalhadores formais cumprem jornada de 44 horas semanais. Em 31 dos 87 setores econômicos analisados, mais de 90% dos trabalhadores estão acima de 40h semanais. Ou seja, a jornada estendida é regra para a maioria. A proposta de 40 horas atinge justamente essa base que sustenta o comércio todos os dias.

A nota técnica também contesta a ideia de que reduzir jornada provoca automaticamente queda do PIB ou desemprego. O aumento do salário mínimo, por exemplo, eleva o custo do trabalho e não provoca colapso no emprego. A própria redução da jornada após a Constituição de 1988 também não gerou destruição generalizada de vagas.

A desigualdade aparece também na renda

Quem trabalha 44 horas recebe, em média, apenas 42,3% da remuneração média de quem trabalha 40 horas. No valor por hora, essa diferença é ainda maior: 38,5%.

Reduzir a jornada é enfrentar uma desigualdade histórica. A discussão precisa ser feita com base em dados — e os dados mostram que é possível avançar.

Acesse aqui a nota técnica

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