A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 03, um projeto que amplia benefícios para servidores da própria Casa e do Senado Federal. A medida escancara mais uma vez a distância entre as prioridades do Congresso Nacional e a realidade vivida por milhões de trabalhadores brasileiros.

Com a aprovação, servidores do Legislativo poderão ter ganhos que ultrapassam o teto constitucional do funcionalismo público, hoje fixado em R$ 46.366,19. Isso ocorre por meio dos chamados penduricalhos, como gratificações, licenças e indenizações, mecanismos que seguem sendo usados para inflar salários no topo do serviço público.
O projeto também cria um novo benefício: a cada três dias trabalhados, o servidor terá direito a um dia de licença, podendo acumular até dez dias por mês. Caso a folga não seja utilizada, ela poderá ser convertida em indenização. A proposta foi defendida publicamente pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e tramitou com rapidez dentro do Parlamento.
A pergunta que fica é: por que essa mesma urgência não aparece quando o tema é a vida da classe trabalhadora?
Enquanto deputados votam benefícios para si e para os seus, trabalhadores do comércio seguem submetidos à escala 6×1, uma jornada exaustiva, que compromete a saúde física e mental, destrói a convivência familiar e retira qualquer perspectiva de qualidade de vida.
“O governo federal já anunciou o envio de um projeto para acabar com a escala 6×1. O que esperamos é que, passada a folia, o Congresso trate esse tema com o mesmo empenho e celeridade”, afirma Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários.
Reduzir a jornada, garantir tempo de vida e dignidade é direito. E o Congresso precisa decidir de que lado está: se continuará legislando em causa própria ou se vai, finalmente, atender às demandas urgentes de quem move a economia e sustenta este país todos os dias.
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