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Via Varejo (Casas Bahia e Ponto Frio) enfim aceita negociar

Na imagem, da esquerda para a direita, os diretores Douglas de Freitas, Vinícius Oliveira, Nelmo da Silva, Daniele Santos, Renato Bernardino e Marcelo Black. Foto: Rafael Rodrigues/ Sindicato dos Comerciários do Rio

Na imagem, da esquerda para a direita, os diretores Douglas de Freitas, Vinícius Oliveira, Nelmo da Silva, Daniele Santos, Renato Bernardino e Marcelo Black. Foto: Rafael Rodrigues/ Sindicato dos Comerciários do Rio

Após meses de negativas e tentativas frustradas, a direção da Via Varejo, dona das marcas Ponto Frio e Casas Bahia, enfim aceitou sentar à mesa de negociação com o Sindicato dos Comerciários do Rio. Na manhã desta quinta-feira (10) o diretor nacional de relações sindicais da empresa, José Cardoso Maltez, veio de São Paulo especialmente para uma reunião na sede do Sindicato.

A vinda do representante nacional faz parte da tentativa para superar as dificuldades de negociação impostas pela direção da Via Varejo no Rio. Cardoso disse que o principal propósito de sua visita é entender os motivos que levaram o Sindicato a organizar manifestações contra a empresa.

A vice-presidenta Alexsandra Nogueira fez então uma apresentação da diretoria e da nova fase vivida pelo Sindicato. “O maior prejuízo que os Mata Roma (gestão anterior, afastada pela Justiça do Trabalho por envolvimento em desvios milionários) deixaram foi a ausência de uma cultura sindical. Não estamos reconstruindo o Sindicato, estamos construindo. Precisamos fazer que as empresas percebam que as coisas mudaram e que agora existe uma representação sindical de fato. Queremos discutir a situação dos trabalhadores, o que temos feito com relativo sucesso com todas as empresas que procuramos. A Via Varejo, infelizmente, foi a única que deu problema, obstruindo as atividades sindicais e se negando a negociar”, resumiu a dirigente.

Participaram ainda do encontro, por parte do Sindicato, cinco diretores que também são funcionários da empresa – Daniele Santos, Douglas de Freitas, Nelmo da Silva, Renato Bernardino e Vinícius Moraes – além do diretor de Finanças José Cláudio Oliveira, do diretor jurídico Edson Machado, do secretário geral Marcelo Black e do coordenador do Departamento Jurídico Carlos Henrique de Carvalho.

Caiu o muro – Cardoso lamentou os problemas e disse enxergar a reunião como um novo ponto de partida. Ele reforçou que as práticas anti-sindicais relatadas não fazem parte da visão da empresa e que vai buscar ajustes internos para que as relações com o Sindicato sejam melhores daqui por diante.

O diretor Renato Bernardino comentou a situação: “Conheço colegas que trabalham em outras praças da rede, como São Paulo e Bahia, e parece que lá eles trabalham em outra empresa, tamanha a diferença que existe nas condições de trabalho e benefícios. Não desgosto de trabalhar na Via Varejo, mas é preciso melhorar muita coisa. Fico feliz que tenha caído o muro e a gente possa avançar na relação da empresa com os trabalhadores”.

Reivindicações – Na sequência, teve início a discussão sobre a pauta de reivindicações dos funcionários da empresa, que tem como principais pontos a melhoria do plano de saúde e do vale alimentação. “Quando entrei há cinco anos a Via Varejo era umas das melhores empresas para trabalhar. Hoje, com o atual plano de saúde e a falta de outros benefícios, já não é mais nem perto disso”, reclamou o diretor Douglas de Freitas, apontando uma série de falhas no plano de saúde atual, que não oferece cobertura em várias especialidades médicas. O diretor ressaltou que mais de 1.700 funcionários da empresa aderiram ao abaixo-assinado organizado pelo Sindicato que pede mudanças no plano, além do retorno da cesta básica (substituída por um vale alimentação de apenas R$ 90, pelo qual o trabalhador ainda é descontado em R$ 18).

Quanto ao vale alimentação, Cardoso disse que a empresa fez pesquisas em várias regiões do país segundo as quais o valor de R$ 90 seria suficiente para comprar todos os itens que eram anteriormente oferecidos na cesta básica. Os diretores do Sindicato rebateram, afirmando que essa não é a realidade no Rio de Janeiro, e reclamaram ainda do fato de que o vale só pode ser utilizado nos supermercados Extra e Assaí, que fazem parte do grupo empresarial GPA, o mesmo da Via Varejo. “O primeiro está entre os supermercados mais caros do Rio e o segundo tem pouquíssimas lojas na cidade”, comentou o coordenador jurídico Carlos Henrique de Carvalho. O advogado acrescentou que a Via Varejo teria divulgado nos meios empresariais uma economia de R$ 3 milhões/ ano com a troca do sistema. “Causa grande incômodo para o trabalhador saber que estão economizando justamente sobre os seus benefícios”, complementou.

Os advogados da empresa se comprometeram a fazer uma análise de todas as reivindicações e irregularidades apontadas pelo Sindicato. Nova reunião para avançar nas negociações será realizada na primeira quinzena de janeiro do ano que vem.