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Transparência e participação

Assembleia aprovou contas do Sindicato em 2016 e a proposta orçamentária para o ano que vem. Dentre os investimentos, está prevista reabertura da subsede de Madureira. Imagem: Wellington Santos/ Comerciários

Assembleia aprovou contas do Sindicato em 2016 e a proposta orçamentária para o ano que vem. Dentre os investimentos, está prevista reabertura da subsede de Madureira. Imagem: Wellington Santos/ Comerciários

Com o auditório lotado, o Sindicato dos Comerciários realizou na noite da última quarta-feira (30/11) a primeira Assembleia de Prestação de Contas dos últimos 50 anos de existência da entidade. Os sócios compareceram em peso, inclusive os de Paty do Alferes e Miguel Pereira, que vieram em caravana com mais de 40 pessoas. Foram analisadas e aprovadas, por ampla maioria, o parecer do Conselho Fiscal sobre as contas de 2015/2016 e a proposta orçamentária para 2017.

“É uma enorme mudança de postura em relação à gestão anterior. Os Mata Roma, que ficaram 48 anos mandando e desmandando, faziam de tudo para ocultar a verdade da categoria. Hoje nossas contas são abertas, sujeitas à aprovação da categoria, que pode acompanhar bem de perto a gestão e ajudar a definir nossos caminhos de luta”, comemorou o presidente do Sindicato, Márcio Ayer.

A atividade teve início com uma apresentação sobre a situação financeira do Sindicato, conduzida pelo diretor Paulo Henrique da Silva, que preside o Conselho Fiscal. Afinal, para entender a importância do momento, era preciso que todos estivessem cientes de alguns fatos da história recente do Sindicato. O diretor relembrou que, em 15 de outubro de 2014, a entidade sofreu uma intervenção da Justiça do Trabalho, promovida pelo Ministério Público Federal em função de denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho.

Herança maldita – Entre as denúncias investigadas, além do fato dos diretores sequer serem comerciários, estavam graves desvios de recursos. A decisão judicial, que afastou a antiga diretoria – interrompendo 48 anos da “dinastia Mata Roma” – também determinou a realização de auditoria nas contas do Sindicato antes da realização de novas eleições, que viriam devolver a entidade à categoria em junho de 2015, com a eleição de uma chapa formada exclusivamente por comerciários. A auditoria foi feita pela multinacional KPMG, uma das mais conceituadas empresas do ramo.

“Assumimos com as finanças em situação muito complicada. Já no primeiro relatório, a KPMG apontou diferença de mais de R$ 24 milhões no caixa, ou seja, a diferença entre os valores que constavam nas contas bancárias e o que estava declarado nos livros-caixa do Sindicato. Entre 2009 e 2014, o prejuízo foi de R$ 5,2 milhões só em multas e juros por atrasos de pagamentos. O Sindicato devia R$ 37 milhões em impostos não pagos”, relatou Paulo Henrique, que acrescentou: “O valor pago mensalmente com as dívidas de INSS, Imposto de Renda, PIS, FGTS, ICMS, IPTUs e ISS, entre outros impostos soma aproximadamente R$ 300 mil, num parcelamento renegociado que vai durar até 2029”.     

Recuperação dos serviços – Paulo Henrique apresentou então a proposta orçamentária para o ano que vem. A proposta contempla ações de investimento como, por exemplo, a reabertura da subsede de Madureira, para ampliar o atendimento aos comerciários que moram ou trabalham na Zona Norte do Rio. Os principais pontos da proposta foram detalhados por assessoras técnicas do Sindicato.

Na sequência, coube ao presidente Márcio Ayer apresentar relatório parcial da gestão. Apesar dos limites impostos pela herança maldita dos Mata Roma – dívidas milionárias, serviços sucateados, imóveis penhorados e em péssimo estado de conservação – foram feitos muitos avanços em um curto espaço de tempo. Dentre eles, Márcio destacou a ampliação de 300% do quadro social, que hoje se aproxima dos 10 mil sócios; o fortalecimento do Setor de Denúncias, que investiu em pessoal e tecnologia para coibir abusos dos patrões; o aprimoramento da Comunicação do Sindicato, que de forma “criativa e bem humorada” passou a conversar com centenas de milhares de comerciários por meio de materiais impressos e redes sociais; além da recuperação de uma série de serviços assistenciais, como atendimento gratuito e especializado do Departamento Jurídico, serviços médicos e odontológicos, refeitórios com alimentação subsidiada nos shoppings, colônia de férias em Paty do Alferes, creche e colégio mantidos no Méier. “O desafio é oferecer serviços de qualidade sem comprometer a saúde financeira da instituição, garantindo recursos para a ação sindical, nossa principal missão”, comentou Márcio.

Na base da pressão! – Para o presidente, o Sindicato retomou sua vitalidade e disposição de luta, o que pode ser visto durante a campanha salarial deste ano – a primeira em décadas. “Colocamos muita pressão sobre os patrões nas lojas, ruas, mídia e redes sociais. Mostramos que com participação é possível garantir conquistas para a categoria, como o aumento  salarial (10%) acima da inflação, reajuste no lanche dos lojistas de R$ 11 para R$ 17, ampliação do auxílio creche e unificação dos pisos nos supermercados”, comentou Márcio.

Ele destacou ainda o empenho do Coletivo Margaridas, da Comissão de Igualdade Racial, do Coletivo LGBT, do Conselho Fiscal e dos assessores para fazer do Sindicato, cada vez mais, um instrumento de lutas e conquistas para a classe trabalhadora. “O Sindicato é mais que um prédio. É uma estrutura à serviço dos trabalhadores. Vivemos um momento gravíssimo no país. O governo Temer quer aprovar a PEC 55 para congelar os investimentos em Saúde e Educação por 20 anos. No Rio, o pacote de maldades do governo Pezão não é muito diferente.  Tempos difíceis se avizinham. Mais do que nunca, precisamos da participação de todos para fortalecer nosso Sindicato e garantir que, em meio à tempestade, tenhamos melhores salários, mais direitos e mais respeito para todos os comerciários do Rio”, concluiu o presidente.