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Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

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Primeira rodada de negociação com SindiLojas e Fecomércio

Da esquerda para a direita o diretor Edson Machado, o coordenador do Departamento Jurídico, Carlos Henrique de Carvalho, o presidente Márcio Ayer, o delegado sindical Marcelo Bizerra e os negociadores do SindiLojas. Imagem: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Da esquerda para a direita o diretor Edson Machado, o coordenador do Departamento Jurídico, Carlos Henrique de Carvalho, o presidente Márcio Ayer, o delegado sindical Marcelo Bizerra e os negociadores do SindiLojas. Imagem: Rafael Rodrigues/ Comerciários

A segunda-feira (18) foi de negociações com os sindicatos patronais. Pela manhã foi realizada a primeira rodada de negociações da Campanha Salarial com o SindiLojas, que representa os donos de lojas de vestuário nos shoppings e no comércio de rua. À tarde, a mesma negociação se repetiu na Fecomércio, que representa os patrões de mais de dez outros segmentos do comércio.

Em ambos os encontros o presidente Márcio Ayer, acompanhado de diretores e advogados do Sindicato dos Comerciários do Rio, apresentou os principais pontos da pauta construída e aprovada em assembleia pelos trabalhadores.

Osso duro As reuniões deram uma mostra de que a negociação será muito dura. No SindiLojas, a proposta inicial dos patrões foi renovar a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), sem incluir muitas das reivindicações apresentadas pelos trabalhadores, além de dar como reajuste apenas a reposição da inflação, sem ganhos reais para a categoria. Os negociadores patronais alegam que o comércio do Rio vive um momento muito difícil, com fechamento de várias lojas, e que o “esforço” deles será pela manutenção dos empregos.

“Projetamos todas as cláusulas apresentadas por vocês e confesso que houve um susto com a mudança de postura, tão radical, em relação à gestão anterior do Sindicato”, admitiu um dos representantes dos patrões presente ao encontro.

Defesa da pauta O presidente Márcio Ayer rebateu. Mesmo admitindo que o momento da economia não é tranquilo nem favorável, ele lembrou que mesmos nos anos anteriores, em que o comércio estava forte, as convenções nunca trouxeram ganhos significativos para os trabalhadores, tanto em termos de salários quanto em termos de direitos. Acrescentou que hoje, em consequência, os comerciários estão sentindo de forma ainda mais forte as dificuldades enfrentadas pelo país na economia. E que seria justo que a categoria fosse recompensada por isso.

“Não é pra menos que vocês tenham tomado um susto. Antes o Sindicato era dominado por uma máfia, que acabou afastada pela Justiça do Trabalho acusada de inúmeros desvios. Eleita em junho passado, nossa nova diretoria é formada apenas por comerciários de verdade, que não estão dispostos a se dobrar à opressão. Agora a luta é pra valer!”, disparou o presidente. A partir daí, Márcio e os demais diretores passaram a defender os pontos que consideram fundamentais para a categoria, como o reajuste de salário acima da inflação, o fim do piso diferenciado para o período de experiência – que o Sindicato já conseguiu retirar da convenção negociada com os atacadistas de material de construção e a concessão de tíquete-refeição (TR) com valor adequado a todos os trabalhadores do comércio no Rio.

Pressão “Quem recebe piso tem muita dificuldade para se alimentar fora de casa. Isso embora o tíquete seja um benefício com pouco impacto para as empresas, porque, desde que cumpram as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), elas podem ter redução correspondente dos impostos que pagam. Atualmente, com exceção do trabalho nos finais de semana e feriados, os empregadores não são obrigados a fornecer alimentação aos trabalhadores. Assim, muitas empresas não pagam ou dão tíquetes com valores irrisórios, como as Lojas Americanas, que há quase vinte anos mantém congelado em R$ 4,35 o valor do seu tíquete, apelidado de ‘vale-coxinha’. Por isso é tão importante incluir essa cláusula na convenção”, defendeu o diretor jurídico do Sindicato, Edson Machado.

A partir da insistência dos representantes dos trabalhadores, o SindiLojas aceitou levar os pontos destacados para uma novo debate entre os patrões. Nova rodada de negociação entre o SindiLojas e o Sindicato dos Comerciários ficou marcada para o dia 27 de abril.

Fecomércio Na parte da tarde, a reunião realizada na Fecomércio repetiu roteiro semelhante. Estavam representados vários sindicatos patronais, como os varejistas de eletrodomésticos, jóias e relógios, móveis, peças e acessórios automotivos, máquinas e ferragens, além de atacadistas de jóias e pedras preciosas. Em coro, os representantes dos patrões voltaram a destacar o momento difícil vivido pela economia.

“Trouxemos para negociar com vocês uma pauta bastante avançada. Somos uma diretoria formada por trabalhadores que conhecem bem o dia a dia e o momento vivido pelo comércio. Não negamos que o quadro atual seja difícil, mas é justamente por isso precisamos encontrar alternativas para melhorar os salários e as condições de trabalho no comércio”, disse em resposta o presidente Márcio Ayer.

Equilíbrio O negociador da Fecomércio admitiu a necessidade de criar regras que deem segurança a todos, empregadores e trabalhadores: “Essa negociação tem que ser ganha-ganha, ninguém tem que perder. O ideal é que a gente chegue a um acordo que faça a atividade crescer e seja bom para todos”.

O diretor financeiro do Sindicato dos Comerciários, José Cláudio de Oliveira, também falou em equilíbrio para enfrentar as situações de crise: “O comércio não vive sem consumidores. Os comerciários também são consumidores – e são muitos, cerca de 400 mil – que podem ajudar a fazer girar a roda da economia. É preciso investir em quem consome para sair da crise. Precisamos avançar também nas cláusulas sociais, aquelas que reduzem a opressão e que, em sua grande maioria, não geram custos para as empresas”.

“Estamos com o pé no chão. Fizemos uma pauta dentro da realidade, sem deixar de considerar que acabamos de viver uma década de prosperidade e lucros que não foi correspondida, em toda sua grandeza, em ganhos para os trabalhadores. É claro que trouxemos cláusulas que são novidades nessa negociação, porque antes não havia representação de fato, mas são cláusulas importantes para dar garantias de que os direitos dos trabalhadores serão respeitados. Os patrões precisam se acostumar com a presença do Sindicato”, lacrou a vice-presidenta dos Comerciários, Alexsandra Nogueira.

Os sindicatos patronais voltarão a reunir seus sócios nos próximos dias para avaliar as propostas dos Comerciários. Nova reunião entre as representações de patrões e trabalhadores será realizada no início de maio.

Reunião na Fecomércio. Imagem: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Reunião na Fecomércio. Imagem: Rafael Rodrigues/ Comerciários