Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro

Menu Menu

Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro

Notícias

Pão de Açúcar amarga a saúde do trabalhador

Trabalhar nas empresas do Grupo Pão de Açúcar (GPA), como Ponto Frio e Casas Bahia, pode ser uma tremenda “fria” e fazer mal à saúde. Ilustração: Chris Boari/ Comerciários

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) é a empresa mais perigosa para se trabalhar no Rio, segundo pesquisa do Sindicato dos Comerciários. O levantamento mostra que dentre todos os trabalhadores que procuram nosso Departamento Jurídico por problemas relacionados à Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), 60% são funcionários do GPA – dono das marcas Ponto Frio, Casas Bahia, Extra, Assaí, Pão de Açúcar e outras. A principal reclamação é que o GPA raramente emite a CAT para os trabalhadores nos casos de doenças relacionadas à atividade profissional.

“Apesar da maioria das reclamações ser contra o GPA, não é uma postura de apenas um grupo econômico, pois está espalhada em todo o varejo e mostra a falta de valorização do comerciário pelos patrões. Eles estão sempre preocupados com o lucro, mas quase nunca interessados em preservar a saúde daqueles que dão o sangue pela empresa”, reclama o diretor do Sindicato Douglas de Freitas, que é também vendedor do Ponto Frio.

A CAT é obrigatória em todos os acidentes durante a jornada de trabalho, no trajeto de casa-trabalho-casa ou quando o trabalhador adquire doença ocupacional. Assaltos durante a jornada também caracterizam acidente de trabalho e, independentemente de sua gravidade, devem ser comunicados à Previdência Social até o primeiro dia útil seguinte ao ocorrido. Caso a empresa se negue a emitir, o trabalhador deve procurar o Sindicato para fazer a comunicação ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Auxílio acidentário – Os exemplos são muitos, como o caso de M.J.Z., técnico de móveis que há 12 anos trabalha para a Via Varejo. Em média, ele atende de 12 a 15 chamados por dia, entre montagens, ajustes e consertos em móveis adquiridos por clientes das Casas Bahia e do Ponto Frio. Recentemente, a sobrecarga de trabalho cobrou seu preço. “Quando comecei a sentir fortes dores no joelho direito, fui ao ortopedista que atende nosso plano de saúde. Ele diagnosticou uma ruptura do menisco e recomendou que eu me afastasse do trabalho para fazer fisioterapia. Disse que talvez seja preciso operar”, conta o trabalhador.

O problema ficou ainda maior quando ele comunicou o fato ao chefe e foi encaminhado ao departamento médico da empresa. O profissional que o atendeu não reconheceu que a questão de saúde tenha sido causado pelo trabalho pesado desempenhado por M.J.Z. Em consequência, ele foi afastado pelo auxílio doença (código B31 do INSS) e não pelo auxílio acidentário (código B91), o que lhe daria a garantia de estabilidade no emprego e irredutibilidade salarial até um ano após seu retorno ao trabalho. Acionado pelo trabalhador, o Departamento Jurídico vai tomar providências para que o caso seja revisto pelo INSS.

Causa e efeito – “Toda vez que o trabalhador for afastado por doença laboral, deve cobrar do médico um laudo que especifique o nexo de causa e efeito entre a função que exerce e a doença que desenvolveu. De posse desse laudo médico, terá condições de exigir da empresa a emissão CAT, que vai lhe possibilitar receber o auxílio acidentário do INSS. Caso o médico ou a empresa criem dificuldades, o trabalhador deve nos procurar para que possamos tomar providências”, explica o diretor jurídico do Sindicato, Edson Machado, que aconselha: “Procure o departamento jurídico do Sindicato. Temos orientação jurídica especializada e totalmente gratuita para os comerciários”.