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Demitidos e representantes da Andarella se reúnem no Sindicato

Na imagem, momento após a reunião, em que os ex-funcionários e diretores do Sindicato discutiram as propostas da empresa

Na imagem, momento após a reunião, em que os ex-funcionários e diretores do Sindicato discutiram as propostas da empresa

Após se reunir em separado com representantes da Andarella e com o grupo de dez funcionários demitidos pela grife, o Sindicato dos Comerciários do Rio promoveu nesta quinta-feira (12) uma reunião entre as duas partes com o objetivo de garantir a melhor forma de pagamento das verbas rescisórias devidas aos trabalhadores. O encontro foi acompanhado pelo secretário geral do Sindicato, Marcelo Black, e pelo diretor jurídico da entidade, Edson Machado.

Alegando dificuldades financeiras, a empresa havia oferecido inicialmente o pagamento dos valores devidos em 24 parcelas, proposta que foi recusada com firmeza pelos trabalhadores. Eles contam que, há pouco mais de um ano, começaram a receber com atraso os pagamentos de salários e benefícios, chegando ao ponto de não terem o vale-transporte recarregado em alguns meses. O pagamento referente ao mês de outubro também está atrasado. Dentre os demitidos, vários estão endividados e com o nome sujo. Eles não aceitam o pagamento com prazo tão alongado por temer que a empresa novamente não honre os pagamentos.

Os funcionários demitidos não estão inclinados a concordar com um parcelamento superior a três meses. Caso contrário, prometem acionar a Andarella na Justiça com o apoio do Departamento Jurídico do Sindicato.

Todos os demitidos eram funcionários do escritório da empresa, incluindo o tesoureiro, contadores, consultora de franquias, consultora de estilo e a gerente de compras. “Somos pessoas que estavam intensamente envolvidas com o cotidiano da empresa. Temos pleno conhecimento de que, pelo faturamento, a Andarella teria condições de quitar essas rescisões à vista”, contou uma das ex-funcionárias.

Nova proposta – Durante a reunião, os representantes da empresa reconheceram que o parcelamento em 24 vezes seria longo demais. Nesse sentido, fizeram uma segunda proposta dividindo os trabalhadores em três grupos, conforme o valor das rescisões: até R$ 10 mil (2), até R$ 30 mil (4) e acima de R$ 30 mil (4), com prioridade para o pagamento das rescisões menores. O primeiro grupo seria pago em dez vezes, o segundo em 15 vezes e o terceiro em 18 vezes. A empresa compromete-se ainda a pagar o salário atrasado de outubro até o próximo dia 16.

Esta segunda proposta também foi recusada pelos ex-funcionários, principalmente em relação às rescisões de menor valor. Os representantes da empresa disseram que gostariam de pagar em prazo menor, mas que a soma mensal das parcelas não poderia ultrapassar o valor que era gasto com os pagamentos regulares dos demitidos, sob o risco de comprometer ainda mais a alegada frágil saúde financeira da Andarella. No entanto, diante da recusa dos trabalhadores, propuseram pagar o primeiro grupo à vista para iniciar, no mês seguinte, o pagamento parcelado dos demais.

Baixa nas carteiras – O Sindicato exigiu que a empresa faça a imediata baixa das carteiras de trabalho, para permitir que os ex-funcionários possam buscar novos empregos e dar andamento as suas vidas. A exigência foi aceita pela empresa. O Sindicato sugeriu ainda que os dois casos de pedido de demissão sejam convertidos em demissão sem justa causa. “O custo da rescisão aumenta, com acréscimo da multa sobre o saldo do FGTS, mas ao menos os comerciários poderiam sacar o seu Fundo de Garantia, o que seria uma compensação pelo tempo de espera que provavelmente terão que enfrentar para receber os seus direitos”, defendeu o diretor Edson Machado.

Os ex-funcionários propuseram ainda a venda de ativos da empresa ou de bens dos proprietários para pagar os valores devidos, ou a utilização do aumento dos lucros no final do ano para, ao menos, acelerar os pagamentos. A empresa diz que, casos as vendas deslanchem no Natal, poderá, inclusive, quitar as dívidas. Os representantes, no entanto, dizem que o mercado não está se comportando como nos anos anteriores e que, por isso, não estão otimistas quanto a essa hipótese.

Pelo amor ou pela dor – Diante do impasse, os trabalhadores vão se reunir para avaliar se aceitam o pagamento escalonado ou se apresentarão uma contraproposta. Nova reunião com a empresa deverá ser realizada nessa sexta-feira (13). “A posição do Sindicato é totalmente favorável aos trabalhadores e daremos todo apoio à decisão que eles tomarem. Esperamos que a gente não precise lançar mão de medidas extremas, pois queremos um acordo que proteja os direitos dos demitidos e, ao mesmo tempo, preserve os empregos dos outros 150 comerciários que continuam trabalhando na empresa. No entanto, se for necessário, vamos sim mover uma campanha contra a empresa e acioná-la judicialmente”, garantiu o diretor Marcelo Black.