Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro

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Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

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Comércio é o setor com mais vagas fechadas em 2020

O comércio liderou o fechamento de vagas em 2020. Entre janeiro e maio, foram menos 446 mil empregos formais, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Só em abril o saldo foi de menos 280 mil e 716 empregos, já o Estado do Rio perdeu 55 mil e 517 vagas (janeiro a maio).

Comércio

A economia brasileira já vinha apresentando um baixíssimo crescimento nos três últimos anos (2017, 2018 e 2019), na casa de 1% ao ano. Apesar do otimismo do governo federal, houve queda 1,5% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2020. No começo deste ano, o consumo das famílias caiu ainda mais, 2%, comparado com o último trimestre de 2019 e o PIB do comércio retraiu 0,8%, comparado ao mesmo período. Isso evidencia que a economia nacional já ia mal das pernas, mesmo antes da pandemia.

O estudo do Dieese, “A Covid-19 e os trabalhadores do Comércio”, demonstra que sem uma mudança da postura do governo, a situação será ainda pior, com mais desemprego e mais precarização das relações de trabalho. Segundo o Dieese, “é certo que se trata de uma das maiores, senão a maior, crise econômica da história mundial. Estimativa publicada já em março de 2020, apontava que o PIB brasileiro em 2020 poderia sofrer uma queda de 8,5%, adicionando milhões de pessoas ao total de desempregados, subocupados e desalentados”. Os desalentados são aqueles que desistiram de procurar uma ocupação de trabalho.

Vendas seguem em queda

Aquilo que cada vendedor já percebe diariamente, com lojas vazias e poucas vendas, o estudo do Dieese comprova. As vendas que já estavam fracas por conta da falta de renda das pessoas, pioraram ainda mais a partir do fechamento das lojas. Segundo a pesquisa Mensal do Comércio do IBGE (PMC/IBGE), o volume de vendas caiu 17,5% de março para abril de 2020 e recuou 27,1% na comparação com abril de 2019, uma queda recorde.

O setor de supermercados ainda manteve seu volume de vendas em março por conta da corrida das pessoas para estocarem alimentos com medo de um possível desabastecimento, o que não ocorreu. Porém, também teve redução de 11,8% em abril. O setor que teve menor queda (-1,8%) foi o de material de construção, que logo foi liberado pela Prefeitura do Rio para retomar suas atividades. Quando comparado com abril do ano passado, o comércio varejista caiu 16,8%.

“Sem melhora no consumo, o comércio continua em queda. Para mudar esse cenário é necessário criar empregos e aumentar a renda dos trabalhadores. Ao mesmo tempo precisa melhorar a confiança das pessoas. Desde a retomada do comércio de rua e nos shoppings, as lojas continuam vazias, pois faltam medidas que assegurem a saúde da população para que ela retome o dia a dia da sua vida”, declara Márcio Ayer.

Por outro lado, nesta pandemia aumentaram as vendas on-line. De olho nesta oportunidade para manter os negócios, algumas lojas desconsideraram o novo coronavírus e colocaram seus funcionários  trabalhando para dar conta das vendas on line no interior das lojas e  até fazendo entrega nos estacionamentos, colocando em risco a vida desses trabalhadores. 

Informalidade vira nova pandemia

Nesse momento, 33% dos comerciários estão na informalidade, o que representa cerca de 5 milhões de trabalhadores, que vivem em uma situação de precariedade e insegurança, sem carteira assinada, trabalhando por conta própria ou como autônomos, sem qualquer proteção da Previdência Social. No centro do Rio, no shopping na Rio Branco, Saara e nas lojas da Uruguaiana, muitos trabalhadores encontram-se nesta situação.

Já entre os comerciários que ainda contam com carteira assinada, muitos tiveram seus contratos suspensos ou perderam parte da renda por conta da Medida Provisória 936. Dos cerca de 10 milhões de trabalhadores que foram pegos pela MP 936, cerca de 2,5 milhões são do comércio, ficando atrás somente do setor de serviços (3,8 milhões).

Saídas para a crise

A forma como os governos vêm tratando a pandemia piora ainda mais a situação nacional, sem medidas mais efetivas de isolamento para conter a proliferação do vírus, como orientam as autoridades de saúde. Também faltam medidas de proteção ao emprego à renda, além de ações para a retomada do consumo e da indústria nacional. O governo federal tem criado dificuldades para que as empresas tenham crédito nesse momento, principalmente para os pequenos negócios, que além de gerarem a maior parte dos empregos no comércio, muitas vezes são a única fonte de renda das famílias proprietárias.

“A redução de investimentos públicos, falta de hospitais, de um transporte público adequado, medidas de geração de emprego, e outras mais, mostram que esse governo não está preocupado com o povo que todo dia precisa sair para batalhar para ter o seu sustento. Com isso, teremos um 2020 cada vez pior, é necessário mudar totalmente essa situação e cobrar dos governos ações eficazes para assegurar a vida e o empregos das pessoas”, finaliza Márcio Ayer.