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Casa Cruz vacila mais uma vez

Ex-funcionários da Casa Cruz e advogados do Sindicato, em conversa com a vice-presidente Alexsandra Nogueira (de pé, à esquerda) e a diretora sindical Rosângela Rocha (última à direita). Foto: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Ex-funcionários da Casa Cruz e advogados do Sindicato, em conversa com a vice-presidente Alexsandra Nogueira (de pé, à esquerda) e a diretora sindical Rosângela Rocha (última à direita). Foto: Rafael Rodrigues/ Comerciários

Desde julho, 119 funcionários da centenária papelaria carioca Casa Cruz foram demitidos sem receber as devidas indenizações. O Sindicato dos Comerciários do Rio foi pra cima e arrancou da empresa, em agosto, um acordo para o pagamento das dívidas rescisórias de forma parcelada. O acordo previa que as rescisões fossem pagas em quatro parcelas. A primeira delas foi paga com mais de dez dias de atraso em setembro, mas não há previsão para o pagamento da segunda, atrasada desde 15 de outubro.

Logo após a assinatura do acordo o Sindicato fez as homologações das demissões, permitindo que os ex-funcionários pudessem sacar o FGTS e ter acesso às parcelas do Seguro Desemprego. Só que o não pagamento da indenização está colocando os demitidos em situação difícil. Nessa sexta-feira (28/10), ex-funcionários vieram ao Sindicato buscar orientações sobre como proceder. O grupo demonstrou disposição para realizar manifestações na porta das lojas da empresa para exigir o pagamento por parte da empresa.

Risco de quebrar – Os demitidos estão temerosos com a possibilidade da empresa quebrar e não honrar a dívida. “Nessa época do ano era para as lojas estarem abastecidas para as vendas de ‘volta às aulas’. Só que os estoques estão vazios, porque a Casa Cruz deu calote nos fornecedores e agora está sem crédito. Nesse ritmo eles vão acabar quebrando, não vão pagar a gente e vão prejudicar também quem continua trabalhando”, contou um dos demitidos.

Segundo a vice-presidente Alexsandra Nogueira, o Sindicato vai apoiar as manifestações para ampliar a voz dos trabalhadores, além de tomar as medidas legais para que a empresa pague tudo o que deve aos trabalhadores, incluindo a multa pela rescisão atrasada (Art. 477 da CLT) e a multa pelo descumprimento do acordo (30% do valor a receber). “Quem continua empregado na Casa Cruz também deve ficar atento. O cenário é ruim. A única forma de ter os direitos respeitados é colar no Sindicato”, alertou a dirigente durante a reunião. “Eles jogam a culpa na crise, mas a gente sabe que outras papelarias estão com boas vendas e contratando. Todos os funcionários precisam mesmo ficar atentos, porque o problema parece ser de má gestão da empresa”, acrescentou a diretora sindical Rosângela Rocha, que também participou da conversa.