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Sindicato dos Empregados no Comércio do Rio de Janeiro

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Campeão corta horas extras e gera revolta entre funcionários

Foto: Intenet

Os supermercados Campeão estariam novamente tentando acabar com as horas extras habituais de seus funcionários sem pagar as devidas indenizações. O problema foi discutido com representantes da empresa que vieram à sede do Sindicato na manhã desta quinta-feira (16/11) e foram recebidos pelo presidente Márcio Ayer e outros diretores.

O Sindicato recebeu dezenas de denúncias feitas pelos trabalhadores do Campeão nos últimos dias. Eles relatam que os cortes começaram no início de novembro por determinação das gerências. Na reunião, no entanto, os representantes da empresa negaram que tenha havido supressão das horas extras. Na cara dura, disseram que as denúncias teriam sido inventadas pelos funcionários. Para provar quem está falando a verdade, o Sindicato reivindicou à empresa uma amostragem dos espelhos dos contracheques dos últimos quatro meses nas lojas do Largo da Cancela, Andaraí e Irajá. Os representantes se comprometeram em apresentar a resposta em até 15 dias.

“Não adianta dizer que não houve (supressão), porque estivemos nas lojas e conversamos com os trabalhadores. O clima de insatisfação é o mesmo que levou aos protestos no Mundial (leia mais aqui). É melhor estabelecer logo um processo de negociação sadio, por meio do Sindicato. Caso contrário, a revolta dos trabalhadores vai se agravar. O Campeão precisa sair da defensiva e olhar com mais sinceridade o que está acontecendo nas lojas. Só assim vamos encontrar uma solução”, cobrou o presidente Márcio.

Ameaça de greve O Campeão já havia tentado a mesma manobra em abril passado (leia mais aqui). Desistiu após forte reação dos trabalhadores, que se organizaram junto com o Sindicato para garantir seus direitos. Além de retirar dos funcionários fatia importante dos rendimentos, a medida é considerada abusiva porque, conforme diz a Súmula nº 291 do TST, a “supressão total ou parcial, pelo empregador, de serviço suplementar prestado com habitualidade, durante pelo menos um ano, assegura ao empregado o direito à indenização correspondente ao valor de um mês das horas suprimidas, total ou parcialmente, para cada ano ou fração igual ou superior a seis meses de prestação de serviço acima da jornada normal”.

Diretores do Sindicato que percorreram as lojas da rede nos últimos dias encontraram um ambiente muito negativo. “O ânimo dos funcionários está péssimo. Dizem que o clima é de terror, com muito assédio e ameaças de demissão”, contou o diretor José Cláudio de Oliveira, que é também açougueiro na rede de supermercados Unidos.

Balanço Os funcionários do Campeão (mais de 2 mil, em 21 lojas) também se queixam da redução no valor do vale-compras pago aqueles que trabalham nas operações bimestrais de balanço. “Nunca pagam as horas extras no balanço. No máximo, a cada três balanços, dão um vale que a gente só pode gastar na própria loja. Antes eu recebia R$ 98, mas nas últimas vezes caiu pra R$ 54.  É uma escravidão legalizada, só falta ao chicote. Estão pedindo pra gente fazer igualzinho ao pessoal do Mundial”, contou à reportagem do Sindicato o trabalhador ALM, da loja do Largo do Pedregulho.

Os representantes do Campeão também negaram que existam problemas no balanço e disseram que todas as horas extras são pagas. Para provar, o Sindicato reivindicou que no mesmo prazo de 15 dias a empresa apresente a relação de todos os funcionários que participaram dos últimos três balanços, com o respectivo controle de ponto e a comprovação do pagamento das horas extras nos contracheques. Os diretores do Sindicato também requereram que a empresa deixe de dificultar o acesso da entidade aos trabalhadores, prática antissindical, passível de multa e outras punições (leia o caso recente do SuperPrix). Alegando “questões de segurança”, os advogados do Campeão propuseram que as visitas do Sindicato fossem avisadas com antecedência à empresa. Foram alertados de que, conforme já manifestou de forma expressa o Ministério Público do Trabalho, impor restrições ao trabalho de fiscalização do Sindicato também configura prática antissindical.

Clima de revolta “As empresas que continuarem reduzindo direitos e benefícios dos funcionários aos mínimos estabelecidos nas convenções coletivas estarão sujeitos a enfrentar a reação negativa dos trabalhadores. O mesmo podemos dizer em relação ao decreto que transformou os domingos e feriados em dias normais nos supermercados, fruto de uma negociação obscura entre o golpista Michel Temer e dirigentes da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Quem levar essas medidas ao pé da letra, mais cedo ou mais tarde vai encarar a revolta”, avisou o presidente Márcio Ayer.